Insúria


28/07/2005


Suicial

Diego Ramires

 

nadadeiras e

                     barbatanas até o suicídio

       eles de podres bueiros na boca

                            elas de sarnas

 

     e

 

 pulgas asquerosas

                    para o almoço

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 00h23
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27/07/2005


Insanos

Raymundo Silveira

 

Sempre fui uma pessoa normal. Descobri, de repente, que sou a única normal neste lugar. Até ontem, bem ou mal, me comunicava com alguém. Embora boa parte me evitasse. Não por minha culpa, evidentemente. Hoje todos amanheceram insanos. Acordei cedo e desci à portaria do prédio. O porteiro estava petrificado. Sequer esboçava, na fisionomia, algo que denotasse qualquer emoção ou sentimento. “Não está me reconhecendo?” Falei. Confirmou com três inclinações da cabeça. “Está doente?” Outros três meneios laterais: que não, que não, que não. Só!

 

Abro a caixa do correio abarrotada de correspondências. Nenhum dos remetentes existe. Jogo tudo fora. Saio para caminhar. Sempre detestei caminhadas. Faço-as para não parecer mais diferente do que já me acham, os anormais. Rua deserta. Logo mais, surgem três homens vindo em sentido contrário ao meu. Caminham como robôs. Lentos passos que repasso na memória e associo a um passado tenebroso. E inclinam os ombros para um lado e para o outro. Como pingüins.

 

Mais tarde encontro outras pessoas. Nenhuma me dirige palavras. Se as interpelo, nunca falam. Limitam-se a reagir como o porteiro do prédio. Todos concordam com o que digo. Quando afirmo qualquer coisa, respondem com gestos de lagartixas: que sim, que sim, que sim. Quando nego, como um gato enxugando a cabeça.

 

Por volta de meio dia, sinto fome. Entro num restaurante. Enfim, alguém disposto a falar comigo. Certamente, por causa da expectativa de vender. De lucrar. Todos são assim. Mas estou enganado. O garçom chega à mesa e me estende o cardápio. Sem pronunciar um cumprimento. Pergunto se ali não se fala aos clientes. Que sim! “Então fala comigo?” Que não! Sempre como a lagartixa e o gato. “Por quê?” Enfim, um gesto diferente: um dar de ombros. E se retirou, levando o menu.

 

Continuo sentado à mesa. Uma hora depois vem o gerente e me manda ir embora. Assim: sacudindo as mãos. “Quero comer. Estou com fome. Posso pagar”. Que não! Retiro o dinheiro do bolso e lhe estendo. Que não! Insisto e ameaço. Enfim ouço um som de voz humana: “Você não é gente!” Indignado, vou até à porta e aceno para dois transeuntes. Que me olham assustados. “Por favor, me ajudem. O gerente deste restaurante acaba de dizer que não sou gente. Digam pra ele o que sou”. Olham-me, agora, com indiferença. Imploro. Afinal, concordam em entrar.

 

“Senhor, aqui estão duas pessoas que podem provar que sou gente”. O gerente as interroga apenas com uma expressão inquiridora. Ambos meneiam as cabeças: Que não! E saem, imediatamente, caminhando naqueles passos de pingüins. O gerente me encara, ameaçador. Mímicas de “cai fora”. Estou morto de fome. Saio para o meio da rua. Agora, além da fome há um vento gélido a soprar. E tremo de frio.

 

 

www.raymundosilveira.net

 

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 19h04
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Paixão de Puta

Diego Ramires

 

           paixão de puta

à vista

        ir e vir   (R$50,00)

buffet de boceta livre

       com desconto  adiantado

           vaginar incansável  

    “delicia amor!” 

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 02h18
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26/07/2005


Micro-Empresário

Diego Ramires

 

Rodrigo, nove anos, pai de família, filho exemplar, um sujeito pitoresco e bem humorado. Morador de um bairro tranqüilo numa dessas grandes cidades. É um dos poucos a unir o útil ao agradável: Filmes de ação com a bela visão bíblica de Noé em dias de enchente. Acorda cedo, come pãozinho fresco, presunto defumado, um chá de limão e algumas tiras de queijo branco, pois tem medo de engordar. Nos finais de semana, quando vem amarrotado de trabalho, gosta de ir até o campo e voar com seu papagaio. Profissional liberal, nas paredes de casa exibe com orgulho o pôster do Flamengo, campeão Brasileiro de 1992.

Sonhos: Seria médico, mas com essa severa rotina de todo trabalhador brasileiro, teve que abandonar provisoriamente os estudos. Seu negócio além de ser rentável é antagonicamente sólido. Em média trinta reais por dia, quando a avenida está movimentada “De vez em quando dá pra tirar uns cinqüentão, só que têm dias que tiro no máximo uns doze conto, tá ligado?”

Pensando em ascender socialmente, pretende abandonar seu atual emprego e ser patrão de outro negócio, com alguns funcionários, próximo da família. Vender produto bom e acabar com a concorrência, diz ele, já que o mundo anda tão desleal.

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 03h00
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As Deis Maneiras de ser do ParTidão

 

ü      Fingir tristeza com a situação para comer sem pagar no “Bandejão”.

ü      Ser malandro sempre, pois malandragem é sinônimo de brasileiro.

ü      O bom filho a casa tem que voltar – Pedir auxílio aos antigos companheiros e companheiras

ü      Ter sempre a imaginação fértil. (Inventar um plebiscito para tirar atenção das CPI’S)

ü      Ter um Genro bom para transferir os problemas da família.

ü      Pobres não devem roubar por ambição, pois não sabem roubar. Roubar em caso de necessidade: merenda escolar, madeiras protegidas por lei e verbas da cultura.

ü      Gastar muito com publicidade.

ü      Acabar com o Ibope da novela das oito.

ü      Com apoio da mídia iniciar a campanha do “PT Esperança”.

ü      A família em primeiro lugar, mesmo que ela te cause alguns aborrecimentos.

 

 

Aprecie com moderação

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 01h50
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25/07/2005


Erra uma vez...

Diego Ramires

*Inspirado no poema "Erra uma vez" de Paulo Leminski

erro mas

   não erro uma vez

erro várias vezes multiplicados por três

  o erro faz parte é coisa do porte

às vezes erro por errar

  erroneamente dizem que isso é errado

errado é ser errante isso é certo

  demais de menos subtraído

ou dividido

  errado mesmo

é o medo de acertar

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 01h25
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24/07/2005


A Utopia do PT

Uma euforia ganhou as ruas brasileiras no dia 1º de janeiro de 2003. Era a primeira vez em mais de cento e dez anos de República que o país elegia um governo de esquerda, de história revolucionária e um operário padrão.  Acreditava-se na “Nova Era Brasil”, igualdade social, reforma agrária, melhores condições de saúde e ensino.  Até mesmo os céticos se renderam ao otimista PT que acabara de tomar posse. Lágrimas, júbilos frenéticos, promessas de desenvolvimento...Vinte e cinco anos de história...

Vinte cinco anos depois...

O “partido do povão” caiu no veneno, brincou com a ignorância dos brasileiros tentando implantar medidas ultraconservadoras – comissão de jornalismo, desarmamento da população, não à tão sonhada reforma agrária.

Como um efeito dominó, casos e casos de corrupção envolvendo membros do partido surgem por todo o país, de santidade a malandragem. A máscara sórdida da política que ninguém imaginava encontrar nessa gestão. Até mesmo Luis Inácio Lula da Silva de homem idôneo a alvo de desconfianças e o PT de esquerda a confusão, sem direções e munições para combater a enxurrada de sarampo vinda dos bastidores das CPI’s.

 

 

Diego Ramires Bittencourt

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 19h48
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