Insúria


12/08/2005


Clássicos (Édson Cruz)

Fonte: www.cronopios.com.br

 

Num país de poucos leitores, talvez se justifiquem as indicações de leituras e as exigências, veladas ou não, de que se leiam os clássicos. Mas o que são clássicos, e para quem? Cara-pálida!
No dicionário encontramos algumas acepções relevantes, e outras que simplesmente levamos ao lixo. Falemos das relevantes. Aquelas obras cujos valores foram postos à prova do tempo, parece boa. Aquelas sem excessos de ornamentação, sóbrias, também nos parece.
Mas, qualquer opinião ou indicação bem intencionada é sempre arbitrária. Quanto mais bem intencionada, mais arbitrária. E, nós que somos a elite deste país, ou seja, temos o que comer, sabemos ler, temos acesso à internet e fazemos parte deste caldo de cultura, criamos nossas regras para podermos ser, confortavelmente, mais arbitrários. Claro que nosso discurso é bem elaborado; argumentamos bem, somos retóricos em nosso convencer.
Pound, por exemplo, embora ainda distante do advento da internet, dá dicas, orienta, classifica: os escritores podem ser inventores; mestres; diluidores; bons escritores sem qualidades que saltem aos olhos; especialistas em algum aspecto; os que lançam modas. Para ele, os bons escritores são a classe que produz a maior parte do que se escreve, e a boa familiaridade com o que ele chamou de inventores e mestres, poderia nos servir de orientação para melhor identificarmos o que seria, ou não, relevante em literatura.
Os inventores são aqueles que descobriram um novo jeito de fazer, ou de dizer, as coisas e os mestres aqueles que combinaram bem, ou melhor do que os inventores, estes processos.
Lembro-me de um depoimento de Paulo Leminski que dizia evitar a literatura relacionando-a com a mitologia, a ideologia e a religião. Talvez ele tenha razão e a literatura seja um pouco disso tudo. Cada um escolhe a sua. O certo é que nós nos deixamos enganar constantemente pelo o que é bem feito e bem acabado.
Os insights e o bom humor de Italo Calvino são muito relevantes nesta introdução à questão. As famosas, e quase clássicas, catorze definições do que sejam os clássicos botam pimenta na questão.  Três destas definições resumem, para mim, a questão:

Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram.

Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.

É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo.

Relegar as atualidades a barulho de fundo; essa é demais. Aliás, quando nos deparamos com algo que realmente importa tudo o mais é relegado a barulho de fundo. Um ‘ruído branco’ que continua presente, ou melhor, é o próprio presente, mas que não atrapalha nosso transporte para outras dimensões do eu e das épocas. Mas como saber se o que nos enleva não é o próprio ‘ruído branco’? Este é o desafio que se nos apresenta. Independente das complicações levantadas aqui, o fato é que nosso tempo de vida é curto e os livros são inumeráveis. Como dizia Borges, aprendamos a escolher. A questão está posta, quem quiser que conte outra.

 

Édson Cruz

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 03h56
[ ] [ envie esta mensagem ]

Ladrão que rouba ladrão...

Merece nota de felicidade realmente. Quem poderia imaginar. Até ontem éramos um povo descrente, agora a situação se inverte, evoluímos em alguma coisa. Tudo bem, as falhas devem ser sanadas, contudo estamos no caminho certo é o que mostra o assalto ao Banco Central em Fortaleza (túnel com ar condicionado, luz, conforto, cama de casal, tv de 29°, cartoon network).

 

Roubar R$ 150 milhões não é muito fácil, ainda mais que o ofício de assaltante está saindo de moda, graças aos “bem amados” de Brasília. Enquanto o país parava para assistir a novela das CPI’s, um bando de sete anões escavava um túnel que atravessava quintais, cachorros, avenidas, câmeras, guaritas com sono para se encontrar com as maravilhosas notas amarelas do mandachuva financeiro nacional - A Branca de Neve deve estar igual ao Frank Aguiar (acho que é ele) rindo à toa...

 

O problema do brasileiro é o desejo incontrolável de ser convidado de festa de aniversário, sempre tacando os dedos no bolo, deixando sujeira pros outros limpar e o pior de tudo esbanjando os docinhos que escondeu no bolso antes de cantar parabéns.

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 03h43
[ ] [ envie esta mensagem ]

Plataforma de Embarque

Diego Ramiers

 

desbravando

                 power point

espetáculo de miragens anoréxicas

aspectos incógnitos

                     no meio da multidão

rodoviária

                ônibus partindo

noturno

rumo experimentado  anos de receio confessos

                 onde estará

                                    lá me esperando¿

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 03h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

Ab-surdo

Jovens pedem ao Papa para aprovar uso de camisinha



COLÔNIA, Alemanha, 11 ago (AFP) - Jovens de todo o mundo que chegaram nesta quinta-feira à Alemanha farão um pedido ao Papa Bento XVI durante as Jornadas Mundiais da Juventude em Colônia (oeste). Eles querem que o Papa aprove o uso de camisinha para evitar a disseminação da Aids, segundo anunciaram num comunicado de imprensa.

*Fonte: Corpo e Saúde

 

 

Fico a imaginar por algum momento, após ler tamanha estupidez, se a Inquisição acabou ou se existe uma nova investida da igreja católica favorável às doenças sexualmente transmissíveis. Ridículo mesmo é a mentalidade de tais jovens (os benditos frutos) em pedir para legalizar a camisinha...Que me perdoem seus crentes remanescentes, mas o que pode fazer um senhor prostrado aproveitando seus anos de senilidade com o manto magno da Igreja?

Foi-se o tempo onde a Igreja gozava de grande autonomia e imperialismo no mundo e deveria ser agora o tempo da geração pepsi twist criar consciência entre sexo e gonorréia, sexo e sífilis, sexo e Aids, sexo e hepatite...

 

Pior de tudo que para fazer cagada ninguém pede, agora quando é para uma vez na vida acertar o lazarento faz questão de se ajoelhar e pedir autorização...Faça-meo favor, assim não dá...

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 02h47
[ ] [ envie esta mensagem ]

10/08/2005


Cego

Diego Ramires

 

letra – me dédalo

                  numa confissão

imiscua

            nó astig

(mata)

a jugular

trança

                        mega - trevas

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 03h01
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quem lê Caras não vê Mensalão

A novela em Brasília ainda não terminou e muitos fartos espectadores já jogam seus alpistes: pizza, farofa ou laranjas?

Enquanto nada acontece; muitos personagens e candidatos a galãs, galegas, têm a oportunidade de aparecer ou reaparecer na tv – lisão de todas polegadas.

Roberto Jet-Erson de anônimo a bem amado dos hortifrutigranjeiros e da nação em geral, ACM Neto “o coronezinho” – eleito símbolo homo sexual da CPI – José Dirceu com seu charme de Manobrando, Marcos Rasputin Valores, inclusive cotado a ganhar o Oscar da corrupção brasileira, Heloisa Helena há três anos esquecida – vencedora do prêmio fazendoafogueira 2003 –, Seve rindo Cavalgando que ano passado levou a estatueta, Defunto Soares, Fernanda Karinha So Meiga, ex-secretária de Marcos Rasputin Valores e nova coelhinha Playboy, Duda Lambança, Já Sinto Lama, Vou Teimar Costa Neto, Sandro Má Fé e diversos outros nomes ganhando os holofotes.

 

É a saturação da informação transformando oportunistas, exclusivistas, cafajestes e cretinos em mitos da história nacional.

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 00h41
[ ] [ envie esta mensagem ]

07/08/2005


Luiz Guerra nos brinda com seu talento!

Luiz Guerra, poeta e escritor dos grandes (mestre) usando e abusando!

 

é clara a geometria
sob cujos planos
ganha vida o recinto
em descontínuo
desdobrar de intenções
sem origem nem história
lá fora, lá fora
é clara a geometria,
e uma só fratura
no cotovelo entre dois planos
recompõe do que restou
outra figura,
outros rescaldos
do nítido perfil
de engano, auto-engano
e simulacro
é clara a geometria
dos faróis desgovernantes
é clara a geometria
da régua em descompasso
é clara a geometria
onde o reverso
é novamente o caminho
do pano para os fios,
onde a esquina dobra para o beco,
e a rua corta o tempo
em dois pedaços de tormento

 

 

 

Heráclito e o Velho Poço

 

Deixemos surgir.
Lugar para o compromisso
sem porta nem janelas
mas também sem telhas,
só astros, pássaros e insetos
como visitantes
enquanto preparo o manuscrito
à luz de um coração repleto
de calor e poesia,
à luz do abrigo
e zoeira interior do eremita.
Consistência e vigência,
palavras simples
enroscadas no que alimenta
o ritmo do verso.
Deixemos surgir —
Heráclito em criança apanhava água no poço
sem nunca trazer-lhe do fundo
essa suspeitosa verdade
que esfregou na cara do mundo,
ele, sim,
filósofo do que se perdeu,
poeta dos fragmentos.

 

 

Reflexão

 

é vizinhança
quem se afasta de si mesmo

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 01h53
[ ] [ envie esta mensagem ]

Até quenfim!

A Globo agradece e nós também!

da Folha Online

Em reunião neste sábado, o diretório nacional do PT aprovou o afastamento do ex-tesoureiro do partido Defunto Soares. O desligamento deverá durar até a conclusão das investigações pela Comissão de Ética.

BRASÍLIA (Reuters) - A CPI dos Correios decidiu produzir relatórios parciais para dinamizar a conclusão das investigações e deve sugerir, em dez dias, a abertura de processo disciplinar contra parlamentares cujas provas já justificariam a cassação. Até agora, foram citados no inquérito, direta ou indiretamente, 18 deputados e senadores.

 

Escrito por Diego Ramires Bittencourt às 01h07
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Sul, PONTA GROSSA, JARDIM CARVALHO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Livros, Cervejas, Cigarros
MSN - g.rades@hotmail.com